Uma família nordestina que havia se mudado para Brasília há poucas semanas, já tinha se acostumado com falas do tipo "tinha que ser nordestino, mesmo!", mas ainda não tinha aprendido a lidar com a fala do dia-a-dia dos brasilienses. Isso era motivo para terem que pedir que alguém explicasse alguma expressão, o que dava um certo constrangimento.
Seu Valdomiro era casado com Marina, e tinham um filho de 12 anos, chamado Gabriel. Marina estava limpando a casa, então o garoto aproveitou a ocasião para passear com seu pai. Estavam os dois andando distraídamente perto de um comércio, quando viram um grupo de meninos soltando pipas e Gabriel disse a seu pai:
- Ô papai, eu quero brincar de papagaio cum aqueles mininu! Compra um daqueles brinquedu lá pá mi, fazenu u favor?
- Peraí só um poquin que nóis vai ali comprar um desses pá tu.
Foram até um mercado do outro lado da rua. Lá se vendia vários tipos de produto, desde pequenos animais de estimação, até jogos de tabuleiro. O brinquedo que Gabriel queria, a pipa, também era vendido neste local. Seu Valdomiro, foi ao caixa, e disse ao vendedor:
- Ô seu lojeiro, me vê um papagaiu aí, fazenu u favor.
Então o "lojeiro" apareceu-lhe com uma ave verde, que repitia tudo que eles falavam. Seu Valdomiro sem entender o que estava acontecendo, disse ao vendedor:
- Mais eu pidi foi aquele troço ali que avoa, seu lojeiro.
- Hmm. Acho que você quer dizer uma pipa. Papagaio é a ave, enquanto que pipa é este objeto que o senhor está comprando agora.
- Achu que agora intindi. É purquê lá em Teresina, nóis chama isso aí de papagaiu. Mas mesmo assim, muitu obrigadu!
Pegaram a pipa, e Seu Valdomiro levou Gabriel onde tinha o grupo de pessoas que viram soltando pipa, para ele soltar também. O menino demonstrou grande habilidade em tal atividade.
Depois de passarem por tal situação, Seu Valdomiro e Gabriel haviam entendido que as diferenças dos dialetos eram maiores do que imaginavam, sendo preciso um longo tempo de convívio para se acostumar ao novo vocabulário
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